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Ana Luisa Valentim

 

A década de 1960, com certeza, foi de Natalie Wood. Nasceu em São Francisco, na Califórnia, em 20 de julho de 1938 com o nome de Natalia Nikolaevna Zakharenko, de pais imigrantes russos. Estreou no cinema aos quatro anos de idade e permaneceu fazendo papéis infantis até 1954, quando obteve sua primeira chance de  mostrar que tinha talento: foi escalada para ser uma das protagonistas de Juventude Transviada (1955), ao lado de Sal Mineo e do legendário James Dean. Até então, Wood havia feito apenas papéis infatis; integrar o elenco de Rebel Without a Cause ajudou a fazer a transição definitiva em sua carreira: da criança para a mulher adulta. A partir de então, sua boa aparência fez com que Natalie Wood se transformasse na estrela mais requisitada de Hollywod nos anos 60. Sua aparência ajudou a compor as personagens que faria naquela década; seus profundos olhos negros carregavam uma sensualidade (ou sexualidade) latente, constratando com seus traços delicados, quase virginais. Podemos até mesmo traçar um parelelo entre as personagens que interpretou: Deanie em Splendor In the Grass, Angie Rossini em Love With the Proper Stranger, Maria em West Side Story, Helen em Sex And the Single Girl e finalmente Alva Starr em This Property is Condemned. Todas essas personagens representavam a mulher contemporânea, que começava a se libertar da pressão familiar e da sociedade.

 

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Ao contrário de Marilyn Monroe, símbolo sexual dos anos 50, que encarnava a mulher-objeto nos filmes em que atuava, Natalie Wood era a síntese da mulher moderna. As obras nas quais atuou abrangeram questões que até hoje permanecem mal-resolvidas, e até mesmo tabus : aborto, virgindade, conciliação da carreira com amor, barreiras familiares e/ou sociais para a concretização da paixão, sexo antes do casamento, multiplicidade de parceiros. Era a primeira vez que tudo isso era mostrado com tamanha clareza e abertura no cinema: os pilares da censura, não só no campo cinematográfico como na sociedade e na família ruíam. Cada vez menos os jovens preocupavam-se com o que os pais pensavam e mais com as experiências que poderiam desfrutar por si mesmos. O cinema, reflexo da sociedade que é, mostrava em suas telas a juventude efervescente, ansiosa por revolucionar os valores que eles julgavam antiquados. Nesse sentindo, a recuperação dos longas nos quais Wood atuou serve como registro de uma década que, ao contrário do que muitos pensam, nada teve de perdida

 

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